PS: este texto é uma critica ao governo em tom sarcástico, peço desculpa aos mais sensíveis
terça-feira, 1 de novembro de 2011
Este país não é para deficientes
PS: este texto é uma critica ao governo em tom sarcástico, peço desculpa aos mais sensíveis
domingo, 30 de outubro de 2011
Este país não é para mim
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
Este país não é para velhos
PS: este texto é uma critica ao governo em tom sarcástico, peço desculpa aos mais sensíveis
quarta-feira, 26 de outubro de 2011
Estigma
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
Dobro-me sobre as migalhas
quinta-feira, 13 de outubro de 2011
Simplesmente Maria, Mulher
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
Simplesmente Mulher
…mulher, enganei-me tantas vezes, mulher, ao crer numa liberdade camuflada de calças, onde o imperialismo hasteou a bandeira da igualdade entre as pernas e a inferioridade das saias critica as próprias coxas.
Quem me mandou lançar sobre as paredes inocentes sombras gémeas que nunca se tornariam numa só.
Se algum dia te perguntarem o meu nome, diz-lhes:
- Chama-se Mulher.
Conceição Bernardino
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
Simplesmente Maria
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
Gritos mudos II
Não me deixei cair na mesquinhez de lamentações fúteis, os meus olhos negros escondiam uma menina órfã que rapidamente moldava uns belos seios de mulher, desejei-os antes de os entregar à ira da mediocridade dos ladinos. Quis ser a primeira a tocar-lhes; sem pudor despi-me em frente ao espelho, (única peça que adornava o meu quarto), suavemente deslizei os dedos sobre os mamilos adornados de seda, endurecidos de deleite pediam-me que me penetrasse, e, num vaivém de uma dança mística amei o meu corpo pela primeira vez, brindei-me com um cocktail de sabores delirantes.
Finalmente tinha-me encontrado com o meu corpo, ergui-o da vegetação, da pena incondicional a que o entregara com nojo de ser mulher. O mundo da “Besta” incompleta que me paralisara tinha fenecido, no momento em que pari a própria vontade de me parir; jurei não rezar mais hóstias bolorentas nem jejuar a fome da impunidade de um cão que se ajoelhava na missa à caça de mais um petiz para o seu cardápio. Voltei pela última vez ao adro da igreja, precisava de olhar-lhe, (no olho que ainda lhe restava), nesse preciso instante tive a certeza que o seu sadismo não coligia rostos, havia de mata-lo da mesma forma que ele matou a criança no túmulo do meu corpo.
Conceição Bernardino
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
já não sinto medo, amor…
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
onde a luz e as sombras se encontram
Tropecei nos silêncios de pedras calcinadas defronte a uma esquina de vidro, ao longe a coluna dorsal do mar dobrava-se em delicadas vértebras, lambendo as sequelas enraizadas de salitre na “Vesperata” onde a luz e as sombras se encontram.
Quis sentir-lhes o sabor…saboreei o primeiro trago na inocência a ilusão, o segundo o despotismo enfadava a razão, o terceiro trago servia para sustentar qualquer condição.
A vida é tão estúpida que estupidez alguma a reconhece quando no lamaçal a morte se finge acordada.
Conceição Bernardino
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
Uma pena, dois momentos

Naquela noite decidi que não ia ficar amarfanhada no travesseiro à procura do cheiro das promessas incertas. Não podia esperar que o tempo me encontrasse, vesti uma roupa ousada, apetecia-me foder, nem que fosse o próprio tempo.
Olhei para o relógio da minha medula, as vértebras aceleravam o meu desejo, numa frenética dança de movimentos, enquanto o batom roçava os meus lábios sem distinguir se os que iria beijar teriam a mesma cor ardente ou não.
Bati com a porta sai, na expectativa que te poderia esquecer definitivamente, sem que mais nada soubesses de mim, ainda assim deixei-te um bilhete acreditando que pudesses voltar.
“Esta noite não esperes por mim, se sentires a falta, procura-me da mesma forma que te sinto, no calor dos teus seios”.
O olhar de desdém de algumas mulheres excitavam-me, faziam-me sentir mais selvagem, já o dos homens, sentia uma gula carnívora só pelo prazer da carne.
Fiz paragem a um taxista que me cruzou um olhar galã, mandei-o seguir para o centro da cidade do Porto. Precisava matar a sede com um afrodisíaco, antes que o meu corpo explodisse nos braços de qualquer um que me sussurrasse uns míticos gestos de desejo.
Entrei num bar repleto de sabores, a música ambiente dobrava-se quase como um gemido convidando-me a dançar, sentei-me ao balcão, de frente um espelho que indicava apressadamente quem me admirava os quadris.
Pedi um cocktail de ameixa, levei-o até aos meus lábios, beijei-o como se beijasse os teus pela última vez, numa despedida frenética sem lhes sentir o adeus; comovi-me, por segundos revivi a nossa última noite entre vagos de cerejas húmidas, o tactear da tua mão aveludada ainda me queimava os seios, o teu rímel tatuava-me a nuca suavemente como se o sol agreste apossasse a timidez numa íris só tua.
sexta-feira, 29 de julho de 2011
«lágrimas de dois gumes»

A noite descia suavemente sobre os meus pés dormentes, de tanto caminhar em vitrinas pardas, agasalhadas pela nudez de manequins que se passeavam em suspiros de glamour.
Não conseguia deixar de pensar naqueles corpos entrelaçados uns nos outros, como se fossem heras a trepar pelas minhas pernas febris de desejo em tons verdejantes de seda pura. Tinha fome do meu corpo ou de outro corpo qualquer, que apenas me tocasse com luvas de pelica, delicadas sonatas num negro piano de cuada.
Toquei-me, e, as pautas escritas em folhas brancas deslizavam em gestos harmoniosos o romper da aurora, o prazer aumentava com a mesma fúria das mãos que saciavam o estremecer das teclas, que se rompiam em orgias de cor preta e branca.
Caí num êxtase selvagem de palmas destiladas, deitada num palco onde as cortinas se fecharam num correr purpúreo de incenso mort du petit Jasmin.
Quando acordei as árvores enroupavam o meu corpo desfolhado, estava submersa em lágrimas de dois gumes num banco de jardim.
O tempo tinha-se esquecido da madame coquet…Olhei de novo as vitrinas, não passavam de folhas de jornal amareladas, lacradas por letras crescentes…” Pour la vente”.
Conceição Bernardino
quarta-feira, 27 de julho de 2011
Os filhos do Corno de África

A terra é a minha cama
e o corpo humilhado da minha mãe, a cabeceira
à noite os bichos
escoram-me do frio e comem outros bichos
que nutrem a minha carne podre
não sei o que é um sorriso
nunca conheci outra vida se não esta
Somos tantos
deitados na mesma cama
já não me levanto
a astenia das minhas pernas
já não seguram o meu corpo
às vezes a minha mãe
mete-me um punhado de farinha na boca
para que a fome não me coma
Não sei se sou criança ou menino
aqui somos todos iguais
não existe idades nem formas
as dores vão deformando
as formas do meu corpo
e o medo assombra-me a sombra
que se cala por baixo de mim
Se pensam que nos matam enganam-se…
…Mutilam-nos
Os ossos desfazem-se lentamente
os dentes cravam a terra
tentam libar água das noites húmidas
Todos os dias adormecem milhares
na boca do inferno
Por mais que os poetas destilem
os cantores clamem
os pintores nos esbocem
jamais alguém conseguirá
abrir as portas da galeria horrenda
e expor o massacre da morte
que nos engole em jejum
Conceição Bernardino









