sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Racismo


Só lá ficaram as corjas do sonho
naquelas mãos manchadas de sangue,
embriagadas de um vermelho purpúreo
onde os apelidos eram escritos
por ordem alfanumérica
sem mágoa nem piedade.

As folhas iam caindo, uma a uma
esmorecidas, amareladas já sem confiança,
espalhadas aos montes
sem qualquer utilidade,
malditas cores hostilizadas
que se erguem em bandeiras,
como quem ergue punhais,
uns gritam palavras de ordem,
outros matam-se como animais
quando as mãos se cruzam
e os vultos se misturam.

A distinção simplesmente desaparece
na própria semelhança
de sermos apenas
tão parecidos, tão iguais

8 comentários:

Moreno disse...

"Se soubesse que o mundo se desintegraria amanhã, ainda assim plantaria a minha macieira.O que me assusta não é a violência de poucos, mas a omissão de muitos.Temos aprendido a voar como os pássaros, a nadar como os peixes, mas não aprendemos a sensível arte de viver como irmãos." (Martin Luther King)

beijo

Ana Martins disse...

Conceição,
todos diferentes, todos iguais.
É inaceitável que em pleno sec.XXI o racismo ainda exista, afinal o Homem evoluiu mas não em tudo, há muitas arestas para limar, e esta do racismo é uma delas.

Parabéns pelo poema, muito forte e pertinente!

Beijinhos,
Ana Martins

...EU VOU GRITAR PRA TODO MUNDO OUVIR... disse...

"Ser diferente é normal".Uma pena que os seres humanos ainda não perceberam esta verdade!

Contundente o seu poema...e perfeito!

Um beijo!

Sonia Regina.

Irene Abreu disse...

É sempre complicado abordar este tema, mas se todos fizermos a nossa parte, talvez se consiga despertar consciências e educá-las... também tenho tido essa preocupação no meu blog onde postei "O Vendedor de Balões" e "Se o arrependimento matasse". Parabéns, a foto está fantástica para o tema, que está excelente. Bem haja!

Cris disse...

Eu acho que desde Antonio Castro Alves até agora pouco mudó. Ele escreveu no 1868:

Era um sonho dantesco... o tombadilho
Que das luzernas avermelha o brilho.
Em sangue a se banhar.
Tinir de ferros... estalar de açoite...
Legiões de homens negros como a noite,
Horrendos a dançar...

Negras mulheres, suspendendo às tetas
Magras crianças, cujas bocas pretas
Rega o sangue das mães:
Outras moças, mas nuas e espantadas,
No turbilhão de espectros arrastadas,
Em ânsia e mágoa vãs!

E ri-se a orquestra irônica, estridente...
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais ...
Se o velho arqueja, se no chão resvala,
Ouvem-se gritos... o chicote estala.
E voam mais e mais...

Presa nos elos de uma só cadeia,
A multidão faminta cambaleia,
E chora e dança ali!
Um de raiva delira, outro enlouquece,
Outro, que martírios embrutece,
Cantando, geme e ri!

No entanto o capitão manda a manobra,
E após fitando o céu que se desdobra,
Tão puro sobre o mar,
Diz do fumo entre os densos nevoeiros:
"Vibrai rijo o chicote, marinheiros!
Fazei-os mais dançar!..."

E ri-se a orquestra irônica, estridente. . .
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais...
Qual um sonho dantesco as sombras voam!...
Gritos, ais, maldições, preces ressoam!
E ri-se Satanás!...

Son hermosos versos que muestran todo el dolor de una raza que en el presente todavia es martirizada por el color de su piel.
Un saludo cariñoso

Ana Martins disse...

Olá Conceição,
o AMANHECER £ PALAVRAS OUSADAS foi contemplado com o selo "COMPROMETIDOS Y MÁS, 2009, que visa destacar blogues que de uma forma ou de outra lutem por um mundo mais justo e melhor.

Beijinhos,
Ana Martins

Chá das Cinco disse...

Adorei como você colocou o racismo dentro de um poema.Somos todos iguais é tão óbvio,mas a ignorancia cega alguns homens.
Uma abraço

Anónimo disse...

Necesidad de mantener las pruebas de mi blog. No funciona como yo lo quiero todavía. Thx por el tema. Tal vez esto lo mío para mirar mejor.