segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

As pupilas dilatadas da saudade


No verde dos olhos esconde-se uma flor de aço
Na ilusão comestível do entardecer os passos
Apressam o aspecto do meu corpo, corro
Como limalhas em horas de ponta à procura
Da última chuva que se acomoda na lama
No silêncio os violinos molham-me o rosto

Os dedos dormentes abrigam-se num fólio
De sílex sobre as pupilas dilatadas da saudade
Ama-me antes que a chuva se dissolva
Num adeus prematuro nos teus lábios.

Conceição Bernardino

2 comentários:

ana kosby disse...

Já sentia falta desta tua intensidade que tinta os olhos e absorve o cérebro, esta aura, este rastro de poesia que fica. Grande abraço. É um prazer ler-te.

Jessica Neves disse...

Querida Conceição,

A forma de terminar é sublime
"Ama-me antes que a chuva se dissolva
Num adeus prematuro nos teus lábios."

Parabéns

Beijinhos *

P.S. Consegue arranjar-me algum contacto (e-mail por exemplo) da Gi? Uma senhora que tinha página no Luso e já não tem. Atenciosamente,

Jessica