segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Fissuras do tempo




As paredes estão vazias
repletas de fissuras
de imagens, sussurros
de pregos trôpegos
curvados pelas sombras.

Já não escuto a voz
nem sinto o bocejar da noite
apenas as linhas,
que escrevo sobre
o papel da minha alma.

As letras miudinhas
confundem-se no branco
dos lençóis remendados
onde o silêncio se aconchega,
do ruído que não chega
do ranger das portas
que já não se abrem

adormeço sem saber se volto…
   …no rodopio das cortinas
   da minha liberdade.
   
 
 Conceição Bernardino

2 comentários:

Jessica Neves disse...

Querida Conceição,

Gostei da melancolia dos seus versos nas "Fissuras do tempo"

Beijinhos *

Jessica

Ana disse...

Gosto do teu tom, da forma como me soas.