sábado, 17 de dezembro de 2011

Etiópia, a última ceia




Aperta-me as mãos, estão geladas
ainda que não as sintas, aperta-mas,
são elas que carregam o pão, da última ceia
deste ventre inchado, onde as moscas acasalam
na aresta da lágrima que desenha os meus olhos.

A vida escoa-se, a viagem dilata-se
entre a correria apressada dos corpos
onde os oceanos são feitos de terra amarelecida
e os glaciares infaustos, aperta-me as mãos
antes que o sol se ponha e nos vista de medo.

Mãe negra,
é breve o teu lamento…ouço-as, gritam,
num círculo fechado, na cartilagem das sílabas
escritas, vendadas pelo sangue frio
que carregas nas mãos, a fome.


Conceição Bernardino
 

5 comentários:

Aníbal Raposo disse...

Lindo poema para um mundo cão.
Beijos

Vieira Calado disse...

Olá, amiga!

Dada a quadra que atravessamos hoje

é só para lhe enviar os meus votos de

FELIZ NATAL.

As minhas mais cordiais saudações.

JouElam disse...

Olá, amiga poeta! Tem um presente de Natal para você no Távola de Estrelas!Desejamos a você votos dum Natal muito Feliz e de um Ano Novo Maravilhoso!

beijos,

JouElam & Dani

Távola de Estrelas: http://jorgemanueledanieledallavecchia.blogspot.com/2011/12/um-selinho-pra-voce.html

Nilson Barcelli disse...

Excelente poema.
Querida amiga Conceição, desejo que tenhas um Feliz Natal e um Novo Ano cheio de coisas boas, para ti e para a tua família.
Muitas prendas, principalmente afectivas.
Beijo.

Daniel Aladiah disse...

Querida Conceição
Um belo 2012!
Beijo
Daniel