domingo, 21 de fevereiro de 2010

Pronuncio de versos fúteis



Cruéis sensações que me despem em sexo banal, em retraídas masturbações hórridas, não quero um corpo. Não quero que o meu corpo se misture na conformidade de uma simples penetração sem que a arte o envolva em lirismo, em espasmos poeticamente concedidos.
Sei que os olhos por onde me passeio libam o meu peito atrevido, de uma menina com impaciência de mulher.
Que se encarnicem todos esses olhares!
Todos eles me olham com o mesmo sentido, fornicar como se fornica uma cadela com cio. Chega de me censurar, se me procuro entre olhares desejosos, quase tão cegos de gozo quanto os meus.
E agora?
Condenem-me ou chamem um padre que exorcize este ardor que sinto, quando me esguio nos lençóis devassos, mutilados pelo sexo. Quando penso que todo este cenário não passa de uma ilusão carnal, o meu sonho morre da mesma forma arcaica como o pintei. A impotência mora no descarnar de rostos fingidos onde definho os meus gemidos
quase tão decrépitos como os palhaços que nunca chegaram a sorrir.
Parto sem me vir, como outra qualquer prostituta, onde o adeus é um pronuncio de versos fúteis.
Mathilde Gonzalez

3 comentários:

Eduardo Marculino disse...

Parabéns por este grande Blog.
Escolhi como blog da semana no História Viva, se desejar retire o selo no endereço http://historianovest.blogspot.com/2010/02/blogs-da-semana.html

Abraços e boa semana

Fábio disse...

Olá gostaria convidá-la conhecer meu espaço no blog Ecos em www.ecosdotelecoteco.blogspot.com , parabéns pelo blog Conceiçção voltarei com mais tempo para apreciá-lo melhor. Abraço e sucesso para você aí!!

Fábio disse...

Olá tudo legal? Gostaria de convida a conhecer meu pequeno trabalho no blog Ecos em www.ecosdotelecoteco.blogspot.com . Sucesso com o blog aí hein... T +